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Aposentado ou pensionista do INSS que confere o extrato de pagamento do benefício e não encontra ali o desconto de um empréstimo que sabe que paga todo mês pode ficar em dúvida sobre a origem da cobrança. A explicação é simples: o extrato do INSS não mostra empréstimo pessoal, porque nem todo contrato passa pelo desconto direto no benefício. Entender essa diferença evita duas conclusões erradas: achar que o contrato é falso, ou achar que ele simplesmente não existe.
O extrato de pagamento disponível no aplicativo e no site Meu INSS mostra o valor bruto do benefício e os descontos que passam pela folha de pagamento, entre eles o empréstimo consignado, dentro do limite da margem consignável. É um documento focado no que é retido antes do depósito, não em todo tipo de compromisso financeiro que o aposentado tenha assumido fora dali. Por isso, ele nunca deve ser tratado como um raio-x completo da vida financeira do beneficiário.
Como o empréstimo pessoal segue uma lógica de cobrança diferente do consignado, ele não é retido pelo INSS antes do pagamento do benefício. A cobrança acontece por boleto, débito em conta corrente ou cartão, em um fluxo separado, que o extrato de pagamento do benefício simplesmente não registra. Isso vale mesmo quando o banco que concedeu o empréstimo pessoal é o mesmo que administra o consignado da pessoa.
O Meu INSS oferece dois documentos distintos: o extrato de pagamento do benefício, com valores mês a mês, e o extrato ou histórico de empréstimos consignados (o chamado HISCON), que lista apenas os contratos consignados vinculados ao benefício. Nenhum dos dois foi desenhado para mostrar empréstimo pessoal não consignado, porque esse tipo de contrato simplesmente não faz parte do sistema de desconto em folha administrado pelo INSS. Confundir os dois documentos é um dos motivos que leva a pessoa a acreditar, por engano, que só tem um contrato ativo.
Para enxergar os contratos de empréstimo pessoal que não aparecem no INSS, a fonte mais completa é o Registrato, do Banco Central, que reúne todos os contratos de crédito abertos no CPF, com banco, valor, data e taxa contratada, independentemente de o contrato passar ou não pelo desconto do benefício. É esse relatório, e não o extrato do INSS, que dá o retrato completo da situação.
Descontos recorrentes em conta corrente, boletos mensais de instituições financeiras e cobranças no cartão de crédito são sinais de que existe um contrato de empréstimo pessoal ativo, mesmo quando o extrato de pagamento do INSS mostra apenas os descontos do consignado. Vale reunir esses comprovantes antes de qualquer decisão, porque eles ajudam a reconstruir a história de cada contrato, principalmente quando o contrato original já não está mais guardado em casa. Quando há mais de um desconto desse tipo, cada um costuma corresponder a um contrato diferente, com data e taxa próprias.
Além do extrato do INSS e do relatório do Registrato, comprovantes de pagamento, faturas de cartão e extratos bancários dos meses em que as parcelas foram debitadas completam o quadro. Quanto mais completa essa reunião de documentos, mais claro fica se há mais de um contrato de empréstimo pessoal ativo ao mesmo tempo e qual é a real dimensão do compromisso assumido. Essa organização também facilita comparar, depois, a taxa de cada contrato com a taxa média praticada no mercado.
Não necessariamente. O extrato de pagamento do INSS mostra apenas os descontos que passam pela folha do benefício, como o consignado. Um empréstimo pessoal cobrado por boleto ou débito em conta é real, só que não aparece nesse documento.
O extrato de pagamento mostra o valor do benefício mês a mês. O extrato de empréstimo consignado (HISCON) lista só os contratos consignados vinculados ao benefício. Nenhum dos dois mostra empréstimo pessoal não consignado.
O relatório do Registrato, do Banco Central, reúne todos os contratos de crédito abertos no CPF, incluindo os empréstimos pessoais que não passam pelo desconto do benefício. É esse documento, e não o extrato do INSS, que dá o quadro completo da situação de crédito de uma pessoa.
Cada contrato tem uma data, uma taxa e um número. Se quiser conversar sobre o seu, o escritório atende pelo WhatsApp.
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